segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ele não ligou no dia seguinte.


Parecia um domingo como outro qualquer. Mas não pra ela. Seus domingos eram regados a leitura, sofá e netflix. Aquele dia foi diferente. Tinha uma festa da na casa dos seus amigos e ela não queria faltar. Colocou um short jeans, uma camiseta, seu óculos escuro e um fone de ouvido. Pegou seu ônibus e fora ao encontro de um dos piores dias da sua vida.

Ela não sabia o que esperar. Era mais ou menos umas três da tarde quando tudo começou. Inocente, não estava acostumada a ingerir bebida que contém álcool. Uma dose de uisque aqui, outra de vodka ali e a festa começou a diminuir de pessoas.

- Experimenta esse, tu vai gostar! - Disse um de seus amigos.



O relógio marcava três horas da manhã e ela nada de ir embora. Um olhar aqui, outra bebida ali. Quando ela viu, ele já estava em cima dela. Sem ter controle dos seus sentidos, ela só pedia que ele parasse, ele continuava forçando. Ela só queria que ele cessasse. E ele impunha mais força. Ela só queria que aquilo acabasse. E não acabava nunca.

Ela foi estuprada e a culpa foi posta na bebida.
Ela foi estuprada e a culpa foi colocada nela por ter ído com um short curto.
Ela foi estuprada e perdeu a dignidade naquele dia.

Ele era seu amigo. Daqueles que pregam em rede social que eles nunca vão fazer isso. 
Ele era seu amigo. Daqueles que ela nunca esperava por isso.
Ele era seu amigo. Naquele dia ele foi um estuprador em potencial. 
Ele era seu amigo. Hoje ele é um estranho.

A culpa nunca é da vítima. A culpa nunca é do álcool. A culpa nunca vai ser da roupa dela.

Ela, como a maioria das vítimas de estupro, nunca fez um boletim de ocorrência. Ficou envergonhada e sabia que a culpa ia ser colocada em si. Ela sofreu e chorou por dias seguidos porque colocou a culpa em cima dela, que não passou de mais uma vítima. Ela até hoje tem acompanhamento psicológico pra poder seguir sua vida em frente. Ela nunca mais conseguiu manter uma relação por muito tempo por medo de acontecer tudo de novo.

Essa é uma história baseada em fatos reais. Aconteceu com alguém próximo. E, infelizmente, pode acontecer com alguém próximo a você. Ou com você.

Denuncie. Ela teve sorte, apesar de tudo. Sorte de não ter pego um HIV. Sorte de não ter tido um filho indesejado. Apesar de tudo, ela teve sorte.

Ela ficou traumatizada. Ela nunca mas conseguiu confiar em alguém de novo. Foi a sua primeira vez. E, diferente dos contos de fada da Disney, ele não ligou pra ela no dia seguinte.

Triste. Forte. Real.

3 comentários :

  1. Denilze, que texto forte , intenso, avassalador. Imagino que a pessoa que sofreu/sofre essa violência, nunca mais vai ser a mesma. E sempre nós, mulheres, sofremos por isso. Que medo de minha filha passar por isso ou até eu mesma. E o mundo se diz civilizado.

    Bjokas e uma maravilhosa semana,
    Blog: DMulheres
    Instagram : @dmulheres

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  2. É muito triste o que acontece com a vítima e ainda se sentir culpa por algo que não tem culpa. Bjus!

    galerafashion.com

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  3. Foda. Foda. Foda. :/
    Repetir pra SEMPRE pra colocar na cabeça das pessoas que a CULPA NUNCA É DA VÍTIMA. NUNCA. NUNCA. NUNCA. As meninas podem estar PELADAS e se falou NÃO é NÃO.


    Beijinhos
    n. // www.fashionjacket.com.br

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Obrigada pela visita!
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Bjs
@denilzefranca