sábado, 9 de abril de 2016

Dos holofotes ao anonimato: chá de sumiço.


Sumiu. S-u-m-i-u. Sumiu mesmo, sabe? Sem deixar rastros ou dá qualquer desculpinha esfarrapada. Sumiu na cara de pau, sem dizer se voltava ou sem deixar alguma pista. Simplesmente sumiu. Tinha o perfil ideal pra ser protagonista do meu próximo romance. Malandragem na medida certa, sarcástico, carinhoso, atencioso, sem frescura, trocava fácil uma balada pela netflix e se a grana tava pouco não se importava em querer aquele dogão da praça em vez de sushi. Um clássico cara a moda antiga, que envia flores, chocolate mas que sabia usar bem as ferramentas do século XXI ao seu favor. Um clássico bom dia com piada do meu time, um vídeo besta (que eu sempre demorava pra entender mas sorria pra parecer a intelectual das piadas sem graça ) no meio do dia e aquele clássico como foi seu dia até as duas da manhã. Ele se interessava se eu tava bem, perguntava se tava mal caso não tivesse batido uma meta no trabalho, queria saber se eu tinha planos pro fim de semana e da possibilidade dele se encaixar neles. 24 horas de atenção, um sorriso bobo a cada mensagem que chegava. Conseguia ficar horas no whatsapp falando coisas sem nexo até as 3 da manhã. Fazíamos planos de viagens nos próximos feriados e até cogitávamos morar junto um dia.


A gente nunca se viu, esqueci de frisar. Era um relacionamento virtual adquirido nesses aplicativos que bombam por aí. Fiquei me iludindo durante algum tempo sobre ser única e toda aquela baboseira que a gente inventa pra se sentir bem. Ele fazia eu me sentir bem, isso que importava. A gente tinha uma boa conversa e até a forma que ele me tirava do sério me encantava, sabe? Marcamos de nos ver umas duas vezes. A primeira ele esqueceu. Sim, e-s-q-u-e-c-e-u. Me senti muito mal e não quis papo. Nos afastamos. Me senti traída por alguém que não tinha nada, mas que mesmo assim tinha me feito de besta. Ego ferido, segundo o Google. Acontece sempre quando criamos expectativas que nunca se cumprem: frustração, talvez seria o termo correto.

Dias depois ele vem com uma conversa sem pé nem cabeça que tinha me visto no shopping. Me descreveu toda. E ainda disse que eu parecia zangada. Talvez um outro bolo, inclusive tô quase abrindo uma padaria. Me senti naqueles filmes da sessão da tarde em que a mocinha tá desiludida e o mocinho fica de longe, com cara de apaixonado só a observando. Ok, parei. Voltamos a nos falar e depois ele sumiu de novo. Sumiu como um sopro. Sumiu dizendo que voltava já e até hoje eu espero. Vez ou outra ele falava alguma coisa, mas a conversa não fluía mais.

Dos holofotes ao anonimato: ele tinha tudo pra ser o ator principal, mas preferiu ser só mais um coadjuvante. Daqueles que a gente só deixa participar uma vez da nossa vida. Uma pena. Ele tinha um perfil perfeito pra ser o protagonista do meu próximo romance.

snap/twitter/facebook/instagram: @denilzefranca <3

6 comentários :

  1. Isso que eu chamo de covardia. O cara tinha tudo para te conhecer e deu pra trás. Detesto pessoas assim.
    big beijos,
    Lulu on the sky

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    1. Me conhcecer não, conhecer a personagem. É utopia pura. Hehehehehehe
      Beijooo!

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  2. Respostas
    1. Oi Anna! Então, é um mix de várias histórias reais de várias pessoas que formaram essa história utópica. ;)
      Beijo!

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  3. Como eu amo texto assim <3 Parabéns pela escrita!
    Seguindo aqui! :)

    Eu parei de blogar há quase um ano, mas agora estou voltando aos poucos e peço sua ajuda para divulgar para as pessoas dizendo que o BDF está voltando! Visita lá! <3
    Beijos e sucesso!
    Batom de Framboesa

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Obrigada pela visita!
Volte sempre!
Bjs
@denilzefranca